segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hola!


fOI-SE JANEIRO.

fEVEREIRO POR INTEIRO
COM LUGAR DE SOBRA
PRA CRESCER - E VOAR, VOAR MAIS QUE BALÃO

mAIS FEVEREIRO PRA AMAR MAIS
mAIS FEVEREIRO PRA APRENDER
mAIS FEVEREIRO PRA VIAJAR
mAIS FEVEREIRO PRA MERECER

cUMPLEAÑOS DE GENTE QUERIDA
mÊS DE PARTIDA, DE SUBIDA
RUMO AOS TETRAS, PENTAS
DE TANTAS VIDAS

vITÓRIAS, INVESTIDAS
ADEUSES AOS CANTOS VELHOS
IMPREGNADOS EM CHEIRO DE
NAFTALINA

rENOVATION
mARCHANDO JUNTOS
PARA A NOVA NATION DE NÓS MESMOS
NOSSA PÁTRIA AMADA

lIVRE DE GENTINHA, PICUINHA, ABOBRINHA
lARGOS ABRAÇOS E ESPAÇOS
PARA CABER GRANDEZA, BELEZA
qUE NEM SÓ DE DÚVIDA VIVE A CERTEZA.


Bienvenido, febrero!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vestindo lua e sol




Aposta

Loteria

Roleta Russa

Tiro no escuro

Mergulho cego

Loucura

Insensatez

"sincericídeo"

Ou se preferir, tão somente


Amor.

- este debochado, auto-suficiente, ditador.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Algumas barreiras é possível derrubar


Chega, em breve, mais um dia 9 de novembro, e com ele, o vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, histórico muro que durante 28 anos, segregou pessoas e dividiu a Alemanha, e o mundo, em capitalista e socialista. A importância desta "comemoração" se iguala à importância de qualquer outra coisa que valha a pena celebrar: tornar vivo na mente e na alma o seu sentido.
Quaisquer tenham sido os motivos políticos que possibilitaram a queda - porque nada no mundo contemporâneo se faz sem justificativa ou benefício político - o resumo da história nos mostra que caiu uma barreira. Barreira física, sólida, imponente, que como todas barreiras se interpõe à homogeneização, à junção, ao acesso.
O muro, claramente expunha diferenças, até então, irreconciliáveis. Deixava visível a todo momento que quem estivesse de um lado automaticamente estaria impedido de estar no outro. Quem acreditasse, ou fosse forçado a acreditar, numa ideologia, estaria descartado para o pensamento contrário. O contrário é o adversário, afinal. Não apenas a oposição, mas o oponente, digno de luta. Não havia espaço para contrários complementares. Talvez hoje, muito timidamente, comece a acontecer um ensaio para a aproximação entre pontas de laços mundo afora. Vagarosos passos de uma marcha que precisará acontecer.
A lentidão é alimentada diariamente, em coisas pequenas, em diferenças pequenas. Sempre que nos contentamos com um entendimento herdado, pseudo-entendimento equivocado. Sempre que execramos outras verdades antes mesmo de serem desveladas por completo. Sempre que nos recusamos a abrir uma porta, ao menos uma janela, para o pensamento novo e perturbador.
Não há de haver grande mal na perturbação. Não há de ser inútil, ou fútil o duelo de idéias. Tudo converge para o engrandecimento de um limite. São elásticos os nossos limites, mas esquecemo-nos disso, ou preferimos ignorar. Nossa mente, um músculo abstrato que é imprescindível treinar.
Se o deixamos em sua zona de conforto, permanecerá flácido, inutilizado de suas imensuráveis potencialidades.
São lamentavelmente raras as vezes em que optamos por deixar cair nossas barreiras. Acomodados sem causa, dissimulamos não saber que as grandes barreiras do mundo são o reflexo aumentado das barreiras íntimas de cada um que se nega a deixar cair muros interiores.
São tamanhas as barreiras ainda fora de nosso alcance! Não nos enganemos, porém, quanto às barreiras que é possível derrubar.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A gente decide


Esta crônica de Lya Luft instantâneamente me fez sentir aquele desejo característico provocado pelos textos de grande idenficação: a vontade de tê-lo escrito.
Releio, e, quanto mais releio, mais enxergo nela uma canção. Como não sou compositora, posto-a na esperança de que algum talento se habilite e faça jus à sua poesia!

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No dia dos seus 102 anos, uma adorável matriarca está sentada junto à mesa de sua cozinha, rodeada de filhas e amigas. Ela corta os quiabos que serão preparados e servidos mais tarde aos visitantes, como de costume. Entrevistada, diz ao jornalista: "A vida, a gente é que decide. Eu escolhi a felicidade."

A aniversariante, dona Canô, mãe de Bethânia, minha irmã querida, naturalmente não quis dizer que "escolher a felicidade" é viver sem problemas, sem dramas pessoais ou as dores do mundo. Nem quer dizer ser irresponsável, eternamente infantil. Ao contrário, a entrevistada falou em "decidir" e "escolher".

Apesar de fatalidades como a doença e a morte, o desemprego, as perdas amorosas, a falta de dinheiro essencial à dignidade, podemos decidir que tudo fica como está ou vai melhorar, dentro do que podemos. Posso optar por me sentir injustiçada, ficando amarga e sombria, posso escolher acreditar no ser humano e em alguma coisa maior do que toda nossa humana circunstância: posso buscar sempre alguma claridade, e colaborar com ela. Dentro de minhas limitações pessoais e de minha condição individual, eu faço diferença, todos fazemos.

Desse início pessoal, passo ao mais geral: leio que 40% dos nossos jovens e crianças vivem abaixo da linha da pobreza; que o desemprego é uma calamidade, a violência cresce a cada dia e o analfabetismo não diminui; que crianças continuam, aos milhares e milhares, brincando no barro feito de terra e esgoto. Leio, vejo e sei que milhares e milhares de velhos vivem em condições sub-humanas, pois sua aposentadoria é miserável, o serviço de saúde pública também, morre-se em corredores de hospitais ou em filas de postos de saúde, onde médicos exaustos e pessimamente pagos fazem mais do que podem.

Não vou recitar a ladainha de que as circunstâncias não justificam euforia nem ufanismo simplesmente porque nós não decidimos algo melhor do que isso que escrevi acima, e todo o resto que qualquer um conhece - e apesar disso continuamos deitando a cabeça no travesseiro toda noite e dormindo quem sabe até bem.

Tenho medo do ufanismo: ele pode ser burro e cego. Olimpíada no Brasil, Copa do Mundo no Brasil, tudo bem: mas eu preferia que antes disso a gente tivesse resolvido os gravíssimos e tristes problemas, tão dramáticos, de comida, saúde, educação, moradia, decência e dignidade de boa parte do povo brasileiro que agora samba e celebra porque teremos Copa, teremos Olimpíada, teremos festa.

Sei que este não é um artigo simpático. Certamente não é alegrinho. Realmente ele trata do que não decidimos, ou decidimos mal, ou decidimos não decidir, como, por exemplo, exigir líderes mais sensatos, mais presentes, mais realistas, mais dignos em todos os níveis. Podíamos decidir ser mais respeitados, enquanto povo, mais olhados enquanto gente, mais seguros e mais protegidos enquanto sociedade.

Ou isso a gente não decide porque nem sabe das coisas, pois não se informa, não sabe ler, se sabe ler não costuma, nem o jornal esquecido no banco do ônibus. Onde o povo carrega doença e dor, descrença e desalento, mas também, aqui e ali, leva um jornal para saber onde afinal vivemos, em quem afinal podemos acreditar, e o que afinal deveríamos esperar. Indagados, os mais desassistidos dirão que Deus é quem sabe, Deus decide, a quem ama Deus faz sofrer - frase de imensurável crueldade.

Ou será melhor nem saber, nem aprender a ler, nem pegar a folha de jornal, nem ouvir o noticioso no radinho de pilha. Basta saber que sempre há em algum canto motivo para um breve ou longo carnaval, celebrando alguma coisa que possivelmente não vai encher nem o nosso bolso nem a barriga de nossos filhos, nem construir uma casa decente, nem botar esgoto, nem cuidar da nossa saúde, nem amparar nossos velhos, nem coisa nenhuma que seja forte, firme, boa e real. Porque, infelizmente, por aqui ainda decidimos pouco, e poucas vezes decidimos bem.
Não porque Deus quis assim, mas porque a gente nem ao menos sabe por onde começar.


[publicada na revista Veja de 21 de outubro de 2009]

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Só pra te mostrar



- Se qualquer um de nós fosse minimamente normal... nada disso teria acontecido.

Não fomos.
Não usamos a cabeça.
Não tivemos juízo.
Não dissemos nada além de
sim.
Não nos detivemos em questionamentos infindáveis.

Não nos perguntamos "e depois?". Apenas perguntamos "e agora?"
Não nos permitimos empacar.

Não nos permitimos ceticismos, conformismos, praticidades.

Não duvidamos ao ponto de abandonar o caminho, duvidamos então, só ao ponto de fortalecer as perguntas e suas respostas.

Não dissemos
quem sabe, talvez, depende.
Não viramos abóbora à meia-noite
Não quisemos garantias.

Não dissemos
não.
E de tanto não fazer, o tudo que não fizemos virou o grande ato.
Soberano, inquieto, crente, puro, cheio em si mesmo.
Dançando em frente ao espelho, para ninguém além de nós.


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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ritmando


Nem valsa,

Nem tango,


Nem rock'n'roll.



Do próximo amor,


eu quero um samba.



♪♪♪

sábado, 26 de setembro de 2009

A Libriana



É Hoje!

Neste dia feliz, há muito para agradecer e muito para celebrar!
As coisas passadas, graças a Deus, nos compõe, não as esqueceremos jamais.
E que bom que seja assim para que fique sempre na lembrança o valor real de cada momento, de cada detalhe.

Renasça hoje, minha mãe querida, e sempre. Receba os anjos que, especialmente hoje te saúdam e brindam por você.

Receba o novo da vida, não se contente com o que você já conhece.
Arrisque, cante, queira!
Seja feliz a despeito de qualquer eventualidade, a despeito de qualquer coisa que possa ter se perdido. São pedaços da gente que ficam em doação para o mundo e mesmo assim, sempre os guardamos no peito.
Te amo e peço ao meu Deus da beleza e da vida que te guarde e guie, hoje e em todos os sempre!


domingo, 13 de setembro de 2009

De água e sal



Não é possível conter o ritmo da vida

onda gigantesca, incomparavelmente mais forte

do que a vontade de qualquer um de nós


A vida, incontida, transborda

enche, preenche, alimenta

Toma seu espaço criando pessoas (finalmente) maiores,

quiçá, melhores

Agigantadas de fazer tanta força
vencidas, de perceber que só poderiam mesmo
deixar a vida jorrar.

Respiram fundo, profundo, o mundo
inventam seu novo segundo

A vida represada, sem licença,
vai passar.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Receita de Bolo de Caixinha

"Par perfeito"

Massa:
Uma surpresa
Um encontro legítimo
Uma certeza
(infinita enquanto dure, talvez)
Ousadia
Sintonia que as palavras não podem (nem querem) explicar
Liberdade
Lealdade
Revolução
Felicidade pela presença do outro
Olhos de ver o que não está explícito

Cobertura:
Amor à gosto.

Observação:
Deixar crescer a massa, antes de levar ao forno.
(servir quente).

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sábado, 22 de agosto de 2009

Who




Quem sou eu...



Candle light.

Cold wind.

Yellow roses.

Loud music.

Timeless photographs.

Soft touch.

Hard thoughts.

Chocolate cake.

Truthfull hugs.

Silly laughs.

High-speed roads.

Calm afternoons.

Simple feelings.

Karma.

Less-than-perfect coreographs.

Willing kisses.

Songs to sing.

Beautiful walks.

Great fears.

Deep tears.

Warm days.

Stupid courage.




Wishes, endless wishes.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A via-láctea

Há longas caminhadas plantadas na raiz deste "para sempre" que eu procuro. Desejo de tornar os dias permanentemente em pedaços de eternidade: sorrisos e verdades que não apagam. Força e beleza que não fraqueja. Saúde, para o corpo, para a mente, para a alma.
Não são sonhos irreais. Não são realidades pouco prováveis. Há pouca ambição nestas expectativas. Há uma calma que tudo permeia. Algumas raras decisões e um punhado de amenidades neste entretanto.
A negligência constante de quem ainda não pôde dar conta de todas as faces que mostra a vida. Se cuido do trabalho, sobram as angústias da alma. Se cuido dos amores, deixo de lado as práticas da evolução, e assim segue. Tive sempre este problema de organização. O tempo me domina muito mais do que eu a ele. Não sou líder, sou subordinada. Assoberbada com a rapidez que exige esta corrida. Por isso é que nos momentos de serenidade apenas passeio. E é este o estado mental onde minha costumeira e desconcertada agitação interior mais se resolve e se encontra. Se enxerga.
Eu deveria meditar. Tomar um desses coquetéis alucinógenos, para que, o quê está oculto, se revelasse. Mas talvez em nem quisesse saber, o oculto tem suas razões para ser. Como uma luz muito brilhante e muito forte, que cegasse se eu a pudesse ver.
Queria mesmo era ser onipresente de mim. Não perder nenhuma das dimensões que se escondem dentro de cada dia, de cada uma das vidas paralelas que vão acontecendo, enquanto tento escolher na presença de qual delas quererei estar.
Banhei-me no mar que lava tudo com suas ondas de águas salgadas. É gostoso a beleza das conchas que ele deixa, mesmo quando elas machucam os pés.
Quando acordo, no horizonte da manhã tem um texto escrito que eu, sempre, ainda não li. Tem pegadas pisadas na areia e pegadas pisadas no cimento, e o cimento é muito menos encantador do que a areia. Mas é ele que segura em pé as paredes, os quartos de dormir, os banheiros de se lavar e as cozinhas onde se come o pão e se cobiça a carne.
Depois que a noite silencia os barulhos do dia, fica mais fácil ouvir pensamentos e enxergar estrelas. E como são bonitas as noites que antecedem o verão! São pequenas promessas e grandes lembretes de toda a vivacidade que desperta a estação.
Tinha abrigo. Agora, o que faltava era trocar de pontos: o de exclamação pelo de interrogação. Mas eu continuava sabendo, mesmo que este conhecimento fosse uma maldição, que frases eram muito mais interessantes quando não trocavam a pontuação: quando os dois pontos me servissem à construção.
Sempre a mais ingênua, fazendo-me passar por pele de loba. Era essa eu. A vidraça. E ser pedra eu tentava, todo dia. Mas só podia me lançar no mundo, mesmo que os meus planetas gravitassem em outra órbita. E eu grávida, para parir um bendito fruto, doce.

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Em Boa Companhia







A minha cidade é muito ruim para dirigir.
Sabemos, ao volante qualquer descuido pode ser fatal.
Quem pode se concentrar no volante tendo em volta a minha cidade?
Tento. Mas, a qualquer momento, surgem os cenários mais ricos, as belezas mais belas, as pessoas mais singelas, as emoções mais humanas.
Mesmo num passeio curto, vejo e sinto as águas, com seus personagens e aromas, vejo o senhor que joga a vara de pesca perto da margem, vejo os casais, famílias e amigos que se sentam para curtir uma cerveja, vejo as crianças que balançam e brincam, vejo os turistas que desfrutam a novidade - esta novidade tão doce que é a minha cidade - , vejo os prédios que saem de trás das árvores, das muitas árvores, vejo os bairros de sempre, as avenidas curvilíneas, os bares que anoitecem com o vai-e-vem, vejo os restaurantes tradicionais onde se abarrotam moradores e visitantes, vejo as coisas todas que mudaram, os lugares que fecharam, os espaços reformados, as construções que antes não existiam, vejo o movimento relaxado e manso, mas harmonioso como um ballet, vejo as pontes que escondem e revelam ao fundo, a minha cidade. Vejo o meu chão e o meu céu, e o intervalo quase cruel do enquanto a volta não vem.
Ela tem gosto, tem cheiro, tem cara, e sobretudo, tem personalidade a minha cidade. É ela, única, com seus prós e contras (muito menos contras do que prós), com suas incomparáveis qualidades e seus lamentáveis defeitos. E assim a amo, perdidamente. Com seu sotaque por vezes imcompreensível, seus contrastes tristes, sua vontade de crescer sem perder a identidade, tudo o que lhe falta e tudo o que lhe sobra, e toda sua infinita capacidade de sempre se fazer amar.
Tudo o que é tocado por ela vira ouro. Tesouro descoberto banhado em privilégios e graça.

É dela os meus olhos e o meu cantar. É dela minha admiração e meu orgulho. E é dela, mais que tudo, a minha saudade. Aquele tipo de saudade assim, tão grande e tão inteira, que quando ainda nem se foi, já se espera pela hora de, de novo, chegar.


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terça-feira, 21 de julho de 2009

Atrás da Porta

Tornou-se carne
e ossos
Mas já o sabia
antevia
Conhecia este itinerário

Fez-se rima agora
fez-se inspiração
E por este fruto
conhece-se o (des)valor
da semente

Abraçou-se
à perplexidade
como propósito involuntário
Haviam outras dores
e outras flores

Não é mais preciso,
[navegar e viver, sim.
apenas, inconvenientemente
igual.
Sal, mel, cal.

Rest in Peace, como nas lápides
contínuo, como na vida
- Ora era ela, ora era eu.
Vívida [apática
Estéril [ florescente
Ricocheteante, como naqueles filmes
de viveram felizes, e viverão.

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sábado, 11 de julho de 2009

Freak



Tenho achado tudo muito estranho. A vida e todas essas coisas que fazem parte dela.
Venho me achando perecível demais, passageira demais, superficial demais, desimportante demais. Uma molécula, uma gota, uma grão. Assistindo coisas grandes serem feitas pequenas e pontes de eternidade, serem transformadas em pó.
Descubro que não importa que esteja tudo errado. Apenas importa que tudo esteja onde deveria estar. Sim, não faz sentido. Mas tampouco o faço, hoje, eu.
Para que se morra, basta estar vivo, é o dito. Simplista que pareça, faz a teoria fiel à prática: para que se sinta morto, morrido ou matado, basta sim, que se esteja entregue ao viver.
Venho descobrindo quantas outras verdades se tornam simplistas também. Não por escolha, ou descaso, ou falta de opção. Pela vida, simplesmente. Foi isso o que aconteceu... foi a vida que veio e me carregou com ela .
[Ventos que me navegam, enquanto ondas assobiam nas palmas das minhas mãos.]
Tenho achado os lugares muito estranhos, as pessoas muito estranhas, as horas do dia muito estranhas, o despertador muito estranho, meu reflexo no espelho muito estranho, os bichos de pelúcia muito estranhos, as máquinas digitais muito estranhas, as estradas muito estranhas, as pizzas muito estranhas, os cafés, as lojas, os sorrisos, as músicas, os dvds, os pijamas, os livros, as frases feitas, as datas comemorativas, os óculos, as roupas, os tênis, os domingos, os esmaltes, os móveis, as bebidas, os carros, os ingressos, os terços, os picolés, os telefonemas, os abraços. Muito, muito estranhos.
Da bolha onde eu vivia, não se enxergavam as manchetes do dia. Depois do estouro da bolha, veio o coma induzido para sustentar as baixas funções vitais da aura.
Tenho visto que de absoluto, só existe a relatividade das idéias absurdas. É a nova ordem mundial: o absurdismo.
E eu que me achava tão estranha, despenquei para o 956 º lugar do ranking. Sou apenas um ligeiro espanto, nada comparado ao absurdismo agora vigente no mundo. Nem sei bem o que pensar desse mundo, tenho com ele um relacionamento meramente platônico. Não me surpreenderia se os peixes se sentassem às mesas dos happy-hours e as pessoas se acotovelassem nos aquários sujos.
Nunca fui das mais íntimas da normalidade, mas por ela, hoje, faria todas aquelas coisas tão absurdas quanto desejar todo dia a mesma mulher.


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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Nessun Dorma

Pensei no que seria
aquele bebezinho
do meu sonho

Risonho, rosado, feliz
estava num hospital,
mas ria, e brincava

Era luz e calor
e me fazia tão bem...

Sonho deve ser
a nossa vida quando não estamos olhando.

sábado, 27 de junho de 2009

Grandes Crianças e Crianças Grandes

Elisa, no auge da riqueza dos seus 10 meses


Eu gostava de ter 29. Era um número bonito, meio mágico, meio cidadão do mundo. Vinte e nove, era como ter a maturidade dentro da juventude. Os vinte e poucos me eram docemente familiares. Nos conhecía-mos, nos vivíamos, nos gostávamos. Há uma pouca responsabilidade velada, inerente aos vinte anos. Tudo pode, tudo vale, tudo é perdoável. Haverá sempre tempo depois para consertar. A imaginação é sempre muita, pelo que ainda virá, pelo que poderá ser, pelo que poderemos nos tornar. O tempo é elástico e generoso, nos corteja, nos acarinha, nos ensina com amor, estendendo a mão e mostrando suavemente um sem-número de caminhos, os quais somos sempre descuidados em escolher.
Aos 29, todas as viagens pelo mundo estão muito próximas de acontecer, a qualquer momento. Todos os amores infinitos dão os braços aos nossos vôos. Todas as outras pessoas sonham grande, igual ou diferente de nós. Já sabemos um tanto do que não queremos, e temos certezas absolutas. Já conseguimos enxergar mais claramente os contornos da pessoa que nos receberá nos futuro. O mesmo sorriso, as mesmas mãos, a mesma voz. Seremos nós, em outro, e esta idéia nos parece próxima e real. A qualquer momento, o dia em que seremos adultos poderá nascer.

De repente alguém no Cosmo decide que é a hora de crescer, e então, chegam os trinta. Os trinta, de cara, te cobram (e eu nunca gostei de cobranças, prefiro as conquistas dos meus dias).Cobram que você seja alguém, que tenha alguém, que saiba de onde veio e para onde deseja ir. Cobram que você cuide da saúde, da forma, dos dentes, das unhas, da lingerie. Cobram casa, comida e roupa lavada. Cara lavada, só com muita coragem. Aos trinta, você deve, obrigatoriamente, ser bem-resolvido, bem-sucedido, bem-amado, safo, sociável, letrado, versado, descolado e bom de cama. Já deve ter muitas diversas histórias para contar, ou ao menos, um convincente repertório de mentiras na manga.
Você é chamado, oficialmente (finalmente), de adulto. Não adianta mais recorrer ao coringa do descomprometimento da juventude. Você agora é homem - ou mulher - e trate de portar-se como tal.

Eu gostava de ser criança. E aos vinte e nove, eu ainda era. O mundo ainda não me tratava como alguém que tinha que crescer. Era inocente, boa, boba, displicente, irreverente, semente de mim. Minhas maldades eram todas biodegradáveis. Não me incomodava dizer a idade, nem comer sobremesa. Me incomodava sair só, ou ser comparada com outras pessoas.
Hoje, não. Hoje, eu tenho trinta e o tempo urge.
Deve ser preciso crescer, para aprender a ser criança de novo, e de novo, e de novo. Deve ser preciso mesmo, o inferno para o céu, o medo para a coragem, a solidão para o encontro, a perda para o ganho, o não para o sim, o nada para o tudo.
A vida, com vinte e nove, com trinta, com menos ou mais, às vezes muda mesmo num segundo. Noutras vezes, dá grandes voltas, grandes guinadas, com um passo atrás do outro, depois de muitas velas em cima do bolo. Depois de vários quilos de sal comidos, e vários quilos de açúcar degustados.

Mas eu tinha um bom motivo para gostar de ter 29: sua recorrente impunidade. Lá, eu ainda não sabia (de verdade), que o show tem mesmo que continuar. Se chove, se faz sol, se adoeço, se fico sem almoço, se perco a hora (ou o dia), se falho, se crio, se me assusto, se me supero, se me oponho. Tem que continuar.


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terça-feira, 23 de junho de 2009

Make-believe

São as melhores paisagens que encantam
Curvas e esquinas, montes, catedrais, gente
Mundo novo, de caminhar com pétalas e pirulitos de amora
Eu nem vi o mar.

Cheiros de azeites, cores rubras, amizade
Na cafeteria, com o trocado,
peguei o bonde, sem saber do ponto final
Não quis conhecer a parada.

Tinha mais que um beijo na cidade
tinha um sonho, uma promessa de avelã
"laços tão gostosos que supúnhamos de seda" *
e eu indo, como o mar, e eu vindo.

É viagem que faz crescer os cílios e suar as palmas
Rigidez tem nome mau, sal grosso, varal vazio
Pendurei-me na roda gigante e saltei para o cavalo
onde girava um carrossel

Sou indignada, não-linear, sem pedigree
como as fadas - gnomos de asas e um pouco mais bonitas
Melancolia não viaja, fica no cais
Ave, monumento, chama póstuma

Lago não tem vez, não faz onda nem rebenta.
Só alcanço os galhos mais altos, e as frutas.
Quando cheguei, estava nada no lugar
casei com a órbita que me lambeu, e abraçou.


(* frase de Edson Marques)

sábado, 13 de junho de 2009

Pedaços

Se distancia
a voz
do coração
algumas vezes


Algumas vezes,
o coração se enche
enquanto a boca
silencia

Se enche, algumas vezes
de vazios e ventanias
Se enche
de espaços e portas fechadas

De nãos e dores
se enche. Preenche
de tudo quanto
não se quer

Se quer?
sequer um aceno,
um sim, mãos
ou um passeio qualquer pela tarde

Uma dança, uma vida
Algumas vezes, tudo é nada
diante do tudo
que parte e falta.

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Aos (E)namorados



Das muitas leituras interessantes, ricas, belas e necessárias com as quais tenho me encontrado ultimamente, escolhi (sem autorização prévia, ops) este texto da Loba Euza, postado recentemente em seu blog, em homenagem aos (e)namorados de todas as idades e lugares, para lembrar que os grandes e verdadeiros amores começam sempre dentro de - e por - nós mesmos.





Carta a Drummond
(com cópia a quem interessar possa)

Poeta,
você foi brilhante ao se declarar amante do amor em seu poema “As sem-razões do Amor”. Ainda que eu tenha dificuldades para te ver amando assim (no seu Poema das sete faces, seu anjo torto contradiz as sem-razões) não poderia juntar tanta poesia de forma mais bonita do que o fez.
Mas, me perdoe, não posso concordar com alguns dos seus versos. Não, poeta. É justamente porque amo bastante e demais a mim é que sou capaz deste amor que é dado de graça. É por me saber amante de mim mesma é que sou capaz de dar-me a quem nem sempre sabe ser amante. É por este amor a mim que amo e me dou de uma forma absoluta. E dando-me, sou capaz de aceitar o outro e respeitá-lo no seu amor singular. Pois é, Poeta, não posso amar alguém mais do que a mim. Sabe por que, poeta? Porque eu me esvaziaria se não tivesse no meu próprio amor a fonte de energia que supre o amor pelo outro. Esta energia que me faz ser parceira, ser companheira, ser igual e ser plural.
Olha, eu verdadeiramente acho lindo este amor que nada exige a não ser sua própria existência. Mas, não sendo poeta nem passando perto de ser abnegada, quero mais do amor, poeta. Quero meu amor se alimentando do amor do outro. Eu o quero espalhando-se no outro e provocando nele a erupção de um vulcão que explodirá em mim, realimentando o meu amor. Então, poeta, o amor para mim é troca. É feliz e forte ao se conjugar em outro amor.
Mas termino em comunhão contigo:

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

[Loba Euza / Carlos Drummond de Andrade]




quarta-feira, 27 de maio de 2009

Depois do pôr-do-sol



Já era um lugar sagrado.

De lá eu conseguia ver a cidade
de um jeito novo
Não é isso que seguimos buscando?
Um jeito novo, um olhar novo?
O horizonte se pintava de cores ainda mais belas
revelava fendas incríveis no céu
quando claro, quando cinza
A luz ia descansar aos poucos
e eu assistia ao show.
As lâmpadas se acendiam lentamente
casas e postes se escondiam na penumbra
enquanto o céu escurecia, sereno
O sol se punha, como eu
Os prédios me apontavam o centro, mas na distância
refletiam silêncio
Me ocorreu por um instante que ali
eu pintava um quadro com a mente,
pincelando palavras.
E a beleza estava no contraste
De um lado, a cidade de contornos tranquilos
o horizonte, a paz que eu procurava
Do outro lado, a rodovia que eu quase
já aprendera a amar
Sempre agitada, de ônibus constantes
chegando para trazer alguém.
Como deixar de reconhecer a majestade
deste pedaço privilegiado de terra?
Me fazia querer uma casa
dentro daquela exata moldura.
Algo simples, por enquanto apenas uma casa para um
onde o espetáculo ficaria para as vistas em suas janelas.
No contrário desta mansa comtemplação
eu via os veículos rápidos, impiedosos
colocando farinha e fermento
em meus ansiosos sonhos de viajar
Era imediato o desejo de sair pela rodovia
e seguir, sem destino
- Vamos? Me pedia o pensamento
Forças estranhas. Ambas.
Mansidão e ebulição.
Simbolicamente, quando me sentava ali
eu não pertencia a nenhuma delas
(não-pertencer é também uma força
que se traveste de incerteza)
Sim, já era um lugar sagrado
recém-descoberto e, possivelmente (infelizmente), transitório
Enquanto tantos procuravam templos
era debaixo daquele céu aberto e urbano
de ventos e paisagens nos olhos,
que eu me encontrava com o meu Deus.


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