quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

As Máscaras Sociais



Um dos melhores lugares para se observar a diversidade entre comportamentos e personalidades é numa festa. Se for uma festa particular, onde você já conhece as pessoas de outras situações, ainda melhor.
Sobre as diversas personalidades e comportamentos, existem máscaras sociais de todo tipo e forma. É nossa prerrogativa e, de certa forma, nosso fardo. A todos nós cabe o uso ocasional de máscaras sociais, o que não equivale a dizer que haja falsidade, pose ou medo nisto.
A máscara social é a persona. Aquele verniz, aquela casca por cima do conteúdo, que, diga-se, é repleto de camadas, muitas das quais indecifráveis, intransponíveis, imperceptíveis. A casca que vestimos, o verniz que pincelamos, quando em contato com outros de nossa espécie, e quando em contato com grupos de outros de nossa espécie. É quase tão natural quanto respirar, e cabe a nós nos educar (nos conhecer) e determinar - ainda que não, conscientemente - a espessura desta casca, e o quanto ela deixará transparecer o conteúdo que a habita.
Se, no meio de uma festa, você pensar em olhar em volta, e para si, para observar a dinâmica do lugar, verá os múltiplos tipos de máscaras sociais que podem ser vestidas. Verá os enturmados, os reservados, os deslocados, os desconfiados, os carentes de atenção, os invisíveis, os curiosos, os naturais, os cínicos, os invejosos e uma infinidade de outros tipos, ou combinações de tipos, que podemos assumir quando em convívio social.
Tão curiosa essa reação natural do ser humano em situações de interação em grupos, e a grande diferença que existe, em muitos casos, entre o diálogo, por curto que seja, de um encontro um-a-um e o diálogo - ou falta de - no encontro pessoa a grupo. O número maior de pessoas no ambiente pode aquecer, intimidar, acender, dependendo do verniz escolhido por cada um, para a ocasião. Como se diante do espelho, vestíssemos, sem saber, a calça, a blusa, o sapato e a máscara. E só então saíssemos pela porta, rumo à festa.
À algumas pessoas, não se poderá sequer reconhecer. De outras, se verá o melhor e o pior. Outras serão hesitantes, ou familiares, ou refrescantes. Outras seremos nós, com a velha face que reconhecemos diante do reflexo, mas com um toque de multidão. E só Deus sabe o que ele poderá nos causar.
Precisamente e, preciosamente, ensinou Quintana. Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas.

7 comentários:

  1. Oi Bia, adorei o post!
    E..eu sou suspeita em falar porque gosto de observar as pessoas, até as que não conheço e seu texto me fez refletir sobre as máscaras de cada uma em cada lugar: em festas, no ambiente de trabalho e até mesmo em casa...

    ADOREI!

    Beijinhos.

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  2. Oi, linda...

    Amei o post . É do que mais gosto de ler e escrever: gente , eu e as gentes.
    Claro que precisamos das máscaras eventualmente, caso contrário não haveria convivência. Ocorre que muita gente esquece de tirar as diversas máscaras que usa , sobrepondo-as...para chegar nelas é um desafio.

    beijo, querida.

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  3. Quintana mais uma vez tinha razão. Mas as máscaras são necessárias, por muitas razões, quando há uma variedade de tipos em volta. Defesa, eu acho. Mas tentar ser o que na verdade não se é raramente dá certo. Mais um ótimo texto.
    Beijos, Bia

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  4. precisava fazer um trabalho,sobre este assunto para a escola,eo seu texto me ajudou muito,só tenho a te agradecer,muito obrigado (:

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  5. mt bom, me ajudou mt no trabalho sobre mascaras sociais.
    Obrigado

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  6. Eu tenho um irmão que qdo está na presença de alguem de fora se transforma em outro cara fica todo cheio de dedos querendo passar uma imagem de malandrão de descoladão tem horas que ele vê a minha reação e fica até meio sem graça devido ao tipinho que ele fica fazendo...TEm gente que não consegue ser natural... Eu graças a Deus sou natural em qualquer lugar.... Não preciso ficar fazendo papel de gostosão pra imprecionar... pq afinal uma hora a mascara cai... não adianta...

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  7. muito interessante...
    parabéns!

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